ENTREVISTA: RAFAEL TENÓRIO
por Sérgio Torres em 26/8/2015
Rafael Tenório é empresário e presidente do CSA- Centro Sportivo Alagoano, o clube de maior torcida de Alagoas. Começou a vida empresarial em 1981. Atua em diversos ramos da economia, desde a distribuição de produtos alimentícios, passando pelos seguimentos agropecuário e sucroalcooleiro, até as áreas de água mineral, postos de combustível e construção civil. Nessa conversa franca e aberta, o empresário fala sobre a importância do Congresso da ABRACE, de futebol e de administração esportiva; brindando a todos nós com um pouco da sua sabedoria.
 O que representa para os clubes de futebol um congresso que reúne cronistas esportivos de todo o Brasil?
– Um congresso do nível desse, além de dar uma visibilidade muito grande para o Estado, também aproxima as pessoas. É uma troca de conhecimentos, de informações e de cultura. É uma forma de poder se atualizar do que se passa no futebol brasileiro, além de reunir cronistas de todos os estados do Brasil. São pessoas com bastante experiência em futebol. Eu vejo como uma coisa muito positiva. E nós, daqui de Maceió, ficamos muito gratos com essa iniciativa da Associação dos Cronistas Desportivos de Alagoas, do esforço que foi feito para trazer um evento de tão grande porte e de tanta relevância para o nosso Estado. Nós alagoanos, temos que nos orgulhar da realização desse congresso, e espero que isso traga fluidos positivos. É um momento ímpar para a crônica esportiva de Alagoas.
De que forma a imprensa esportiva contribui para o futebol brasileiro?
-Principalmente o rádio, que tem um papel relevante para o futebol brasileiro. Isso desde a Copa do Mundo de 1950. E a gente vê que o rádio ainda é um pouco esquecido em relação ao patrocínio, à participação financeira. Hoje, a televisão paga valores altíssimos aos clubes de futebol, quando eu acho que parte desses recursos também deveria ser canalizada para o rádio. Eu acho que o rádio é um pouco marginalizado, apesar do benefício enorme que ele traz;  porque a televisão transmite só os jogos e o rádio tem muitos programas esportivos em sua grade e se aproxima mais do torcedor.
Hoje, a televisão tem o poder de comprar os direitos de transmissão de partidas e coloca-las no horário que quer. Como vê isso?
-Eu sempre vejo essa compra de horário como um supermercado que vende espaço. Na hora em que ele vende o espaço tem que aceitar as regras do comprador. Lógico que a emissora de televisão quando compra o espaço, vai colocar as partidas naquele horário que melhor lhe convém; o horário que vai atrair mais patrocinadores.
Qual o segredo para tirar um clube tradicional e centenário, como o CSA, da situação difícil em que se encontra e coloca-lo no nível que merece?
Olha, primeiro responsabilizar os gestores, porque é inadmissível que instituições centenárias, ao longo dos anos, não tenham construído um patrimônio. Quando você olha para os grandes clubes do futebol brasileiro, percebe que eles dilapidaram quase todo o seu patrimônio. O CSA, por exemplo, e outros clubes alagoanos, na década de 1960, jogavam em seus campos e cuidavam deles, porque eram obrigados a fazer isso. Depois que passaram a jogar em estádios do Governo ou de prefeituras, eles relaxaram muito. E também tem aquela política miserável de assumir compromissos para depois correr atrás de receitas, fugindo da realidade ao assumir altos salários sem ter renda suficiente para pagar. O futebol brasileiro deveria criar uma política salarial que permitisse aos seus gestores também pensar no patrimônio dos clubes. Não só patrimônio imobilizado, mas também com recursos e receitas disponíveis de outros segmentos não apenas dentro do futebol. Acho que uma instituição de futebol deveria ter outros tipos de renda, como aplicações financeiras, aluguéis, o uso de ginásios polivalentes onde se pudesse realizar várias modalidades de esporte e de eventos e trazer recursos. Por exemplo: arenas com supermercados onde fosse possível terceirizar muita coisa; porque na hora em que você terceiriza, divide receitas. Há coisas que é necessário terceirizar, outras não, porque você tem que ter renda própria. Eu vejo que a solução é uma boa gestão. É o que nós vamos fazer durante o nosso período de gestão de dois anos dentro do CSA. Não só pagar os compromissos do clube, mas avançar em termos patrimonial, estrutural, administrativo e profissionalizar a gestão.

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20/11/2017

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