ENREVISTA: CRISTIANO MATHEUS
por Ascom em 17/8/2015
Cristiano Matheus é radialista e prefeito de Marechal Deodoro, cidade histórica da região metropolitana de Maceió onde nasceu o proclamador da República Brasileira, Deodoro da Fonseca.  Como cronista esportivo é associado da ACDA- Associação dos Cronistas Desportivos de Alagoas e um dos apoiadores do Congresso da ABRACE, que se realiza em Maceió, de 26 a 29 de agosto. Em 1996, iniciou sua trajetória nos meios de comunicação, atuando como locutor e apresentador na Rádio Jornal AM, na cidade de Pilar/AL, e logo após, nas TVs Alagoas e Pajuçara (2001/2007) em Maceió.
É formado em Radialismo  e Gestão de Marketing em Varejo, iniciando em 2006, o curso de Jornalismo. Em 2005, assumiu seu  primeiro mandato eletivo como vereador por Maceió e, em 2007, foi eleito deputado federal por Alagoas. Atuou como presidente da Comissão de Abastecimento, Indústria e Agricultura, vice-presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher e membro da Comissão de Finanças, Orçamento e Fiscalização Financeira, obtendo resultados positivos durante sua gestão na Câmara Federal. Em 2008, foi eleito prefeito com mais de 42% dos votos válidos. Nessa entrevista, ele fala sobre a importância do Congresso, da presença de Juca Kfouri, da qualificação da imprensa esportiva e do futebol nordestino.
Como vê a realização de um congresso desse porte para os radialistas e jornalistas participantes?
 – Vejo que essa iniciativa da ACDA é um momento ímpar para os profissionais do setor. Assim como o jornalismo econômico, o jornalismo esportivo impresso, radiofônico, televisivo ou da web, está cada vez mais especializado. E esse evento é uma oportunidade para se buscar novos métodos, linguagens e ferramentas para atender à necessidade e exigência do público, cada vez mais exigente de informação de qualidade.
De que forma a presença do consagrado jornalista esportivo Juca Kfouri pode representar um diferencial para o evento? 
Juca Kfouri é o exemplo de aplicação das linguagens e ferramentas que acabei de citar. Ele está há anos nas principais vitrines da mídia esportiva, emitindo suas impressões e assim vem formando opiniões já através de pelo menos uma geração inteira. E como se consegue isto? Sempre buscando o aperfeiçoamento e inovações que a linguagem de massa exige. Cabe a nós, que vamos participar deste evento, extrair dele essa experiência. Afinal, a proposta da ACDA é justamente troca de informações e busca de novos métodos. E vamos aproveitar essa experiência para aplicar no nosso cotidiano.
Futuramente, as rádios poderão ter que pagar para fazer as transmissões esportivas. O que acha disso?
 – Há pelo menos 20 anos eu tenho escutado que os clubes de futebol estão dando passos largos para a profissionalização de suas gestões. Foi assim quando lançaram a “Lei Pelé” e na sequência vieram outras legislações complementares que foram contestadas ou não. A verdade é que, futebol ou qualquer outro evento esportivo precisa de recursos para que seja bem feito. E cobrar pelas transmissões é uma forma que alguns dirigentes estão vendo como alternativa para aumentar a arrecadação dos clubes, embora nem todos sejam a favor. E o radiojornalismo esportivo também precisa acompanhar essa tendência, embora muitas emissoras já estejam bastante adiantadas neste quesito. Mas também é verdade que muitos profissionais fazem transmissões hoje por amor à profissão ou ao esporte. Isso não deveria ser assim. Afinal, são profissionais talentosos que precisam ser bem remunerados e reconhecidos também financeiramente.
O que acha da qualidade do atual jornalismo esportivo feito no Brasil?
 – Como eu disse, temos profissionais competentes. Aqui em Alagoas eu posso lhe fornecer uma lista extensa de verdadeiros mestres do jornalismo esportivo. Mas, devido à cultura de alguns órgãos de comunicação em que eles prestam serviços, não são bem remunerados. E isso obrigou esses profissionais a buscar qualificação no seu cotidiano. Foi no dia-a-dia, debaixo do sol forte, às vezes sem uma água para beber, que eles aprenderam a pulso. Seja estudando a si mesmo, seja observando outros colegas pelos quais eles também têm respeito e admiração. E na medida em que dermos valor real a esse trabalho, é que as pessoas que fazem o jornalismo esportivo terão tranquilidade financeira para buscar cursos, aperfeiçoamento e viagens. E portanto digo mais uma vez: justamente por todas essas dificuldades, é que essa oportunidade que a ACDA está dando de ter um evento desse porte em Maceió, é única em toda região Nordeste. E todos nós – profissionais da área – devemos aproveitar ao máximo.
Qual a sua visão sobre o futebol brasileiro após o fracasso durante a Copa do Mundo?
 – Vejo que é um momento de profunda reflexão que, certamente nos levará a uma repaginada. Em todos os sentidos. Inclusive no nosso ego. Nós brasileiros crescemos sob a falsa impressão de que temos o melhor futebol do mundo. Mentira. Isso não acontece mais há décadas. Todo o mundo já havia percebido isso e somente nós brasileiros que não. Foi preciso aquele vexame para que nos viesse à realidade, diante dos nossos olhos cheios de lágrimas. Quando menciono a palavra repaginar, me refiro desde a peneira, a preparação do futebol de base; à profissionalização dos nossos dirigentes, dos técnicos e até mesmo a redefinição do atleta ideal para o futebol.
Como o nível do futebol nordestino poderia subir?
 – Subirá na medida em que o futebol brasileiro melhorar. Acompanhar esse crescimento é inevitável. Quando falamos sobre profissionalismo dos clubes, com dirigentes especializados em gestão, a consequência positiva tem efeito cascata. Por exemplo: faz parte da cultura do nosso Estado escolher para o cargo de presidente dos clubes – com raras exceções – apenas dirigentes com situação financeira boa e bem definida. Para que esse dirigente, em momentos difíceis, venha socorrer o clube em sua folha de pagamento ou outras necessidades. Isso precisa acabar. Quando tivermos clubes eficientes financeiramente, também teremos anunciantes com retorno de seus investimentos. Ninguém gosta de colocar dinheiro no ralo. Quando os investidores tiverem retorno, teremos lucro nos clubes. E consequentemente condições de ampliar o futebol de base. Buscar o talento no sertão, no agreste e acompanhar o atleta iniciante com preparação física adequada. Isso é investimento com retorno certo. Pois estaremos criando um atleta que mais tarde será negociado. Ganha o atleta, ganha o clube, ganha o futebol.

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